E porque este blog fala de sonhos, também o Direito era um sonho... antes de ter entrado no curso. O sonho da Justiça, dos valores. E foi então que quando me encontrei nesta área, acordei. Apercebi-me que é em Direito que se conhecem as maiores injustiças, desigualdades, atrocidades e... práticas pouco ortodoxas. Para se sobreviver é preciso ser submisso. Calar quando nos pisam e sorrir levemente no fim, como que pedindo que o façam outra vez. Primeiro castram-nos a razão, o espiríto crítico, a vontade de mudar algo, impingem-nos a ideia de que o
status quo é para ser mantido, ensinam-nos a ler e reproduzir e recomendam-nos que para se ser digno de opinar, só depois de se ter lido meia biblioteca romana e medieva. Somos vermes e eles senhores da Lex, seres eminentemente superiores, a quem devemos ajoelhar sempre, nunca ousar responder, nem olhar de frente, é o temor reverencial, com tiques autocráticos. Ficam-se pela metodologia vazia das fórmulas jurídicas (de prefência com algumas palavras em latim à mistura para tornar a coisa mais pomposa) e entram em esquemas totalmente desligados da realidade, uma abstracção pseudo-intelectual. Enfim, e como o Direito é uma realidade cultural, más notícias: a Justiça vai (demasiado) mal neste rectângulo (não que isto seja novidade para alguém). Não consigo deixar de pensar, cada dia que entro na Faculdade, como faz falta um banho de humildade a tantos "senhores doutores" que se endeusam a si próprios, sem saberem nada da realidade. Talvez um dia se apercebam que, afinal, não passam de seres humanos, apenas e tão-só seres humanos.
É o que temos, haja coragem e força para continuar a sonhar, que é como quem diz, lutar...